
1 - Apresente o grupo para quem não está no “Thrash Inside”.
Cris: Bom, um grande olá pra todos que estão lendo a entrevista, agradeço pelo interesse em nome do Bandanos. Bem, somos uma banda de São Paulo, na ativa desde 2003. Temos um debut CD lançado em parceria com selos do Brasil e EUA, que saiu no ano de 2006 além de outros materiais como splits e participações em coletâneas aqui e também no exterior, em versões VINIL e CD. Alguns dizem que somos uma banda de thrash, outros de crossover, outros ainda de hardcore… Não sabemos isso ao certo, mas com certeza os três estilos citados nos influenciam na hora de compor nossas músicas e tocar ao vivo… Somos apenas velhos fãs de SUICIDAL, 7 SECONDS, D.R.I. e NUCLEAR ASSAULT. Já fizemos shows em vários lugares do Brasil, em diversas cidades do interior, assim como outros estados. Somos uma banda que toca por paixão em excesso pelo que faz, e o que conquistamos é conseqüência disso, não estamos buscando qualquer tipo de ascensão de carreira meteórica, contratos milionários ou aparições no Domingo Legal, apenas continuamos nosso trabalho e levamos o que gostamos as últimas conseqüências. Ficamos muito felizes obviamente que as pessoas estão gostando de nossas músicas e indo aos nossos shows se divertir com a gente. É isso o que realmente importa.
2 - A banda vem resgatando o thrash feito nos anos 80. Em sua opinião, o thrash agora voltou vocês são uma semente isolada?
Cris: Assim como punk ele nunca se foi. Estava por aí, mas meio “tímido” nos últimos anos. O rock é muito cíclico. Dentro das inúmeras cenas existentes dentro dele, algumas bandas vêm e vão numa fluidez incrível. O Thrash e o Crossover são estilos em alta hoje em dia nesse contexto citado. Existe todo um “revival” de atitude, visual e comportamento voltado pra esse sentido, o que faz com que novas e boas bandas apareçam ao redor do mundo, assim como promoveu o maior número de “retornos” de velhas bandas do famigerado circuito THRASH dos anos 80 da história. Muitas bandas, tanto grandes ou “majors” assim como bandas undergrounds de volta à ativa tocando e fazendo alegria de seus fãs em vários lugares do planeta. Pra mim isso é positivo demais, e pouco me importa se as bandas voltam por dinheiro ou por paixão, contanto que nos dêem bons shows e boas novas canções, o que em muitos casos nem sempre acontece… Se somos uma semente isolada com certeza não! Tanto aqui no Brasil, como lá fora, dezenas de ótimas bandas estão fazendo ótimos trabalhos e nos proporcionando shows de altíssimo nível… O Festival “Night of the Living Thrashers” que rolou em SP em julho, é a prova viva de que o nível das bandas e o grau de organização dos eventos no Brasil não devem mais nada a cenas do exterior na Europa e USA. Ótimas bandas da nova safra do crossover/thrash nacional se apresentando em um mesmos evento como HATE YOUR FATE, LOWLIFE, BOMB THREAT, POSSUIDOS PELO CÃO e o BANDANOS. Tivemos bandas de várias regiões do Brasil com apresentações bombásticas! A mídia “rock” brasileira estava presente no evento? Alguma vai resenhar aquele evento? Provavelmente nunca… Estão mais preocupados em pagar pau para bandas gringas. Não que isso não seja legal, mas valorizar as ÓTIMAS bandas que temos por aqui também faz parte não acham ?
3 - Todos da banda vêm de outros grupos, projetos. Por onde os Bandanos passaram para chegar até hoje?
Cris: Se eu for citar todas as bandas que o pessoal do Bandanos tocou eu vou precisar de muito tempo e boa memória pra ficar escrevendo aqui… A média de idade dos membros do Bandanos é acima dos 30 anos e posso te dizer que todos foram e são muito envolvidos com o cenário musical há muito tempo. O Alex, por exemplo, passou por bandas como o WARHATE, banda de thrash-metal do ABC Paulista que teve seu material registrado em vinil ainda nos anos 80, assim como passou pela “lenda” grindcore nacional ROT. Assim é nossa história… Luciano tocou no POINT OF NO RETURN, com certeza a banda que abriu as portas da Europa pra todas as bandas do circuito hardcore aqui no Brasil. Marcelo “Cyco” Papa, no QUESTIONS…E eu toquei em algumas bandas antes do Bandanos também.
4 - Algum material a ser lançado?
Cris: Os próximos meses depois de voltar do Chile, serão dedicados a finalizar nossas novas canções, assim como entrar em estúdio para gravá-las. Já temos três lançamentos previstos que são eles dois split singles e um EP em formato vinil. Estamos muito ansiosos em gravar logo esse material. O estúdio vai ser o DA TRIBO em SP, onde gravamos nosso CD. Gostamos muito do resultado final gravado no sistema analógico e com certeza nos manteremos fiéis ao trabalho deles. Quem gosta do Bandanos não vai se decepcionar com as músicas novas, pois continuamos “cada dia mais sujos e agressivos”.
5 - A banda em alguns dias está partindo para um tour no Chile. Quais expectativas para o tour?
Cris: Bem, as melhores possíveis… Desde que fechamos os últimos detalhes e começamos a divulgar, dezenas de pessoas vem nos escrevendo do Chile se mostrando ansiosas por ver nossas apresentações ao vivo. É algo muito empolgante e que causa uma expectativa enorme. Nossa tour segue os padrões underground, onde nos apresentaremos em pequenos festivais ou clubes/pubs em eventos compatíveis à nossa realidade, mas esperamos uma recepção calorosa e um público insano, o que segundo nossos amigos do FLESH GRINDER, recém-chegados de lá, já nos disseram que é. O Chile tem uma cena extremamente ativa e organizada, com centenas de bandas, selos, distros, etc. Esperamos ir lá e poder levar um pouco da nossa energia ao vivo pro pessoal chileno.
6 - Como aconteceu o convite para a viagem? A almejada Europa é o próximo passo?
Cris:Esse lance de internet é mesmo uma loucura. Quem fez os contatos dessa tour fui eu. Eu estava em contato com pessoal da MURDER WORKS, pois eles tinham interesse em fazer a tour do DEAD INFECTION, que eles iriam trazer para o Chile, no Brasil e precisavam de contatos aqui, foi assim que acabei conhecendo eles. Eles já conheciam o Bandanos, inclusive eles tem uma banda o MACHUKAOS que faz um som meio que na “nossa praia”. Em cima disso tudo, foram rolando as negociações. Outros fatores nos ajudaram muito, como o VIOLATOR ter tocado recentemente por lá, e verem nisso a viabilidade de fazer um giro por lá. Daí em diante foi só lance de acertar as condições de ambas as partes e depois começar a divulgar por lá. Os chilenos estão sendo incríveis. Uma produtora extremamente profissional e até agora estamos muito satisfeitos com todo o trabalho que eles fizeram com a gente. Europa já é uma realidade próxima, na verdade já temos convites pra tocar por lá já faz um bom tempo, mas “N” fatores nos impossibilitaram em diversas situações que isso fosse viável. Parece que em breve anunciaremos algo neste sentido por aí, aguardem. Enquanto isso pode adiantar que há algo meio encaminhado para o México também, que na verdade era pra rolar agora em Novembro, mas que acabou não rolando.
7 - Pegando o gancho, há poucos anos era inviável ver uma banda independente partindo para shows na América do Sul. Confronto, Paura e por último Indexterity abriram essas portas. Em sua opinião, qual porta, canal foi aberto para que fosse possível essa mudança?
Cris: Esses não foram os primeiros exemplos de bandas aqui do Brasil a se aventurar em tours underground fora do Brasil, na América do Sul. Foram apenas os mais recentes. Isso também se falando de bandas da cena HARDCORE que você citou. Vide o POINT OF NO RETURN, MUKEKA DI RATO e DISCARGA, por exemplo, há alguns anos atrás. Considero o mais extenso e bem sucedido de todos em qualquer época a recente tour ano passado do VIOLATOR, que cobriu quase todos os países da América do Sul, assim como algumas anteriores do CONFRONTO. A nossa é bem menos complexa, pois iremos tocar em um país apenas, alguns poucos shows… Acho que estamos “anos luz” atrás de cenas como U$A e Europa em termos de estrutura e logo, apenas agora estamos nos organizando nesse sentido. Não dá pra você se arriscar fora de seu país sem saber direito o que vai encontrar por lá, ainda mesmo no nosso contexto, onde promessas não-cumpridas é parte do cotidiano, nesse caso a diferença é que não dá pra subir para o ônibus circular e voltar pra casa apenas… Logo é preciso se planejar pra essas coisas…
8 - Agradeço as respostas. Boa sorte na turnê. Deixem seu recado aos leitores.
Cris: Bom, mais uma vez obrigado a todos que leram a entrevista e se interessaram. Valeu Mauro pela força. Esperamos todos vocês em nossos próximos shows, sejam eles onde for. Em agosto, iremos tocar com Flesh Grinder em Campinas, setembro temos uma data em Santos, Outubro em Joinville e Curitiba e Novembro Maringá, Foz do Iguaçu e Cascavel com a segunda parte da “Possuídos pela Bandana Tour”. Vejo todos vocês no circle pit ! Abraços.
Fotos por Maurício Santana e Revoluta Produções
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